Tenho saudades minhas.
Tenho saudades de quando não trazia este peso, sempre, esta massa latente a exigir de mim naquilo que tento ou que estou, estas cortinas maciças não mais que entreabertas.
Dói-me esse passado. Doem-me os nervos. Dói-me tudo.
Rompeu-se o cordão umbilical que me ligava à alegria. Aquelas vibrações sorridentes, aquela disposição permanente para a vida, perante a vida, tudo isso trago amolgado num frasco difícil, antigo.
Já foi assim. Deixou de ser. Anos e anos passaram; Rastejei, ansiei, vislumbrei, assisti, resisti, existi.
E daí?
E agora??
?...
...e agora?...
A questão que me coloco é esta:
Onde quedar-me a viver (mas a viver de facto)?
Com quem mais a acompanhar-me, numa nova excursão, em novas redescobertas?
Sem a vergonha e raiva, más companheiras desde a adolescência, frequentemente esmorecidas em pesar e evitamento, tudo isso por não me soar seguro, por não me sentir livre e assim deixar de o estar, por me julgar a falhar enquanto ser capaz, solto e social - por existir todo esse julgamento pré-concebido instaurado nas atmosferas, aos poucos impregnadas onde haja restantes.
Onde e com quem - só isso.